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Share of voice: o que é e como usar para crescer

Leandro Gimenez Leandro Gimenez · 18 ago 2026 · 9 min de leitura
Visual explicando a fórmula do share of voice (presença da marca dividida pela presença do mercado vezes 100), com exemplo 15% e comparação share of voice versus share of market, nas cores verde e azul-marinho da marca.

Share of voice mede quanto a sua marca ocupa da conversa total do mercado. Some suas menções, impressões ou investimento de mídia e divida pelo total da categoria. O número vira um termômetro de presença. E tem relação direta com crescimento. Quando uma marca fala mais alto do que o tamanho que ela tem, tende a ganhar participação ao longo do tempo. Segundo Les Binet e Peter Field, cada dez pontos de presença acima da fatia de mercado valem cerca de 0,5% de participação por ano.

Na minha operação, vejo empresa de médio porte medir clique e ignorar presença. O custo aparece meses depois. O concorrente vira referência, o comprador passa a lembrar dele primeiro e o custo por lead sobe. O share of voice olha antes disso. Ele mostra se você compra futuro ou apenas colhe a demanda de hoje. Por isso ele entrou de vez no radar de quem cuida de marketing como operação, e não como gasto solto.

O que é share of voice?

Share of voice: a fatia da conversa do mercado que pertence à sua marca, medida por menções, impressões ou verba de mídia sobre o total da categoria. Em português, participação de voz. Quanto maior a fatia, mais a sua marca aparece quando o comprador pensa no problema que você resolve.

A conta serve para qualquer canal. Você pode medir presença em busca paga, em social, na imprensa ou no volume de anúncios. No B2B, o LinkedIn concentra boa parte dessa conversa, porque o debate acontece com identidade profissional real. A escolha do canal muda o dado. Então fixe o mesmo recorte todo mês e não troque a régua no meio do caminho.

Existe mais de uma forma de medir presença. A versão de mídia paga usa investimento ou impressões. A versão orgânica usa menções em redes e imprensa. A versão de busca usa cliques e aparições no resultado. Nenhuma é certa ou errada. O que não pode é misturar as três no mesmo relatório e comparar coisas diferentes. Escolha uma base e mantenha ela por vários meses.

Uma boa medição de presença conversa com a sua atribuição de marketing. Uma diz quanto você aparece. A outra diz o que aquilo gerou de receita. Juntas, elas tiram o marketing do achismo.

Como calcular o share of voice?

Divida a presença da sua marca pela presença total do mercado e multiplique por cem. Presença pode ser menções, impressões, cliques ou verba. O importante é usar a mesma unidade para você e para os concorrentes, no mesmo período. Assim o share of voice fica comparável de um mês para o outro.

Fórmula: share of voice = (presença da sua marca / presença total do mercado) x 100.

Um exemplo rápido. Sua marca teve 1.200 menções no mês. O mercado inteiro somou 8.000. Seu share of voice é 15%. Se o concorrente líder tem 35%, você já sabe o tamanho do buraco. E sabe quanta presença precisa comprar ou conquistar para reduzir a distância. Esse mesmo raciocínio ajuda a defender orçamento com número, e não com opinião, quando você olha o ROI de marketing da campanha.

A escolha da unidade depende do seu objetivo. Se quer medir topo de funil, impressões e menções servem bem. Se quer medir intenção, cliques e buscas dizem mais. Um erro clássico é somar tudo numa métrica só. O resultado fica bonito e não ajuda a decidir. Menos unidades, mais clareza.

Uma dica de operação: registre o número toda semana, mesmo que a análise seja mensal. Série histórica curta engana. Com alguns meses de dado, você enxerga tendência, e não só foto. E tendência é o que importa quando o assunto é presença de marca.

Por que o share of voice prevê crescimento?

Porque presença de hoje vira memória de marca amanhã. Segundo Les Binet e Peter Field, marcas com share of voice acima da fatia de mercado tendem a crescer. Cada dez pontos dessa folga valem cerca de 0,5% de participação por ano. O LinkedIn B2B Institute estima algo próximo de 0,7% no B2B. Os números mudam por categoria, mas a direção se repete.

A lógica por trás da conta é simples. A maior parte do mercado não está comprando agora. Quem aparece com constância entra na memória do comprador antes da decisão. Quando a necessidade surge, a marca presente sai na frente. Isso reduz o custo de venda e sustenta a geração de demanda ao longo dos trimestres.

No B2B, esse efeito é ainda mais forte, porque o ciclo de compra é longo. O comprador pesquisa por meses antes de falar com vendas. Se a sua marca aparece durante essa pesquisa, ela entra na lista curta. Se some, o concorrente ocupa o espaço. Presença constante é o que garante estar na mesa quando a decisão chega. Por isso vale tratar isso junto com a construção de demanda de marca, que caminha lado a lado com a presença.

Vale um alerta. Presença sem constância não gera esse efeito. Uma campanha isolada aparece e some. O ganho vem de manter a folga de presença por meses, não por semanas.

Share of voice x share of market

Share of market é a sua fatia de vendas. Share of voice é a sua fatia de atenção. A diferença entre as duas tem nome: excess share of voice, ou presença em excesso. Quando a atenção supera as vendas, você está plantando crescimento. Quando fica abaixo, está perdendo terreno em silêncio.

Calcular a folga é simples. Pegue o seu share of voice e subtraia o seu share of market. Se o resultado é positivo, você investe em crescimento. Se é negativo, está apenas defendendo o que tem, e mal. Muita empresa descobre, com essa conta, que fala menos do que o tamanho que ocupa. E estranha por que o crescimento travou.

Situação O que significa Tendência
Voz acima do mercado Você aparece mais do que vende hoje Ganho de participação
Voz igual ao mercado Presença no tamanho da sua fatia Estabilidade
Voz abaixo do mercado Concorrente fala mais alto que você Perda gradual

Esse recorte muda a conversa no comitê. Em vez de discutir se a verba foi alta, o time discute se a presença está acima ou abaixo do necessário para crescer. A regra vale também no B2B, e não só nas marcas de consumo, como muita gente ainda pensa.

Onde a métrica engana

Como todo indicador, o share of voice tem armadilhas. Ignore-as e o número vira vaidade. Fique de olho em quatro pontos.

Já vi um painel bonito esconder um problema real. A marca subia em menções, mas caía em custo por lead porque o tom da conversa era ruim. O número cresceu, o negócio não. Presença só importa quando vem acompanhada de qualidade.

Outro cuidado é com o benchmark do setor. Um share of voice de 20% pode ser ótimo num mercado com dez concorrentes e fraco num mercado com três. O número sozinho não diz nada. Ele só ganha sentido contra a sua fatia de mercado e contra o líder da categoria.

A forma de medir também evoluiu. Hoje dá para acompanhar a participação de voz em vários canais ao mesmo tempo, de social a busca, com ferramentas que juntam os dados num painel só. Isso reduz o trabalho manual, mas exige critério para não inflar o número com menção irrelevante. A régua continua sendo sua.

Como aplicar na operação

Dá para começar sem ferramenta cara. A IA entra como meio: ela varre menções, classifica o sentimento e monta o comparativo com concorrentes em minutos. O trabalho humano fica na decisão, não na coleta. Quer um caminho prático para os próximos noventa dias?

Siga uma ordem simples. Primeiro, escolha um canal e uma lista fixa de concorrentes. Segundo, meça o share of voice do último mês com a fórmula acima. Terceiro, compare com a sua fatia de mercado para achar a folga. Quarto, defina uma meta de presença em excesso, por exemplo cinco pontos acima do mercado. Quinto, revise a cada trimestre e ligue o dado à receita, para não cair na vaidade do volume.

Um exemplo de meta ajuda a fechar o raciocínio. Digamos que a sua fatia de mercado seja 12% e o seu share of voice esteja em 10%. Você está dois pontos abaixo do necessário só para manter posição. Para crescer, precisa passar dos 12% com folga. Isso vira um alvo claro de mídia e conteúdo para o trimestre, com número e prazo definidos.

Presença é um ativo que se constrói devagar e se perde rápido. Quem mede cedo decide melhor. Quem só mede clique descobre tarde que virou coadjuvante no próprio mercado.

Perguntas frequentes

Share of voice é a fatia da conversa do seu mercado que pertence à sua marca. Você mede menções, impressões ou investimento de mídia e divide pelo total da categoria. O resultado mostra quanto a sua marca aparece perante os concorrentes, sempre no mesmo período e no mesmo canal de comparação.
Divida a presença da sua marca pela presença total do mercado e multiplique por cem. Use a mesma unidade, como menções ou verba, para você e para os concorrentes, no mesmo período. Por exemplo, 1.200 menções suas sobre 8.000 do mercado resultam em 15% de share of voice no mês.
Share of market é a sua fatia de vendas. Share of voice é a sua fatia de atenção no mercado. A diferença entre as duas indica a tendência: quando a voz supera as vendas, a marca tende a crescer; quando fica abaixo, tende a perder participação ao longo do tempo, mesmo sem alarde.
Excess share of voice, ou presença em excesso, é a diferença entre o seu share of voice e o seu share of market. Segundo Les Binet e Peter Field, cerca de dez pontos dessa folga se traduzem em algo perto de 0,5% de crescimento de participação por ano, com variação conforme a categoria.
Sim. O LinkedIn B2B Institute mostra que a regra vale também no B2B, e não apenas em marcas de consumo. Manter presença acima da fatia de mercado, com constância, sustenta a geração de demanda e reduz o custo de venda ao longo dos trimestres, porque a marca entra na memória antes da decisão.

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Leandro Gimenez

Leandro Gimenez

Fundador da Operaí Digital

Ajudo empresas a vender, atender e operar melhor com IA. Fundador da Operaí Digital, sócio da GMZ.MOKE e da Delta Creators. CPTO do Grupo GMK.

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